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A mulher que eu era

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Imagem do filme Cinderella.  Em Cinderella, a mãe ensina um segredo profundo, o fio que conduz a história da garotinha que perde sua vida estruturada e se torna órfã, sofre humilhação e abusos verbais da madrasta e suas novas irmãs durante anos, mas no final é recompensada por sua atitude diante da vida; um conto de fadas que poderia ser realidade para muitas outras Cinderelas. O segredo é: "seja bondosa e tenha coragem". Esse conselho aparentemente infantil é, na verdade, para poucos. Bondade e coragem são para os fortes. Essas palavras deveriam decorar o quarto de todas as crianças desse planeta, porque elas são as estratégias corretas para lutar com a vida, não importa como ela lute com você. A vida bate. Bate muito; é uma lutadora casca grossa que te empurra e provoca. Como você vai encarar? A luta é inevitável e a vida é implacável; tem que ter a estratégia certa. Para cada movimento da vida você tem que ser rápida em se adaptar. Quem luta achando que é Gabriela,...

3 Garotinhas Contra a Tempestade Perfeita

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Era uma vez três garotinhas. As mais doces, obedientes, alegres e aventureiras que conheci. Elas topavam tudo, sem tempo ruim. As garotinhas foram crescendo e vivemos muitas aventuras juntas. Fomos ao Hopi Hari quantas vezes? Não sei. Foram crescendo, desabrochando, virando mulheres incríveis. Maduras, fortes, sem perder a doçura, a alegria e o espírito aventureiro. Se aventuraram pela vida com intensidade e sensibilidade. Uma vez dei a Natália e Mariana a incumbência de criar uma coreografia para a cantata de Natal. A música dizia: "coração de ouro, um coração refinado e moldado, lapidado com amor." A cara delas. A vida foi levando e sendo levada. Vieram tempestades. Não estou falando dessas que arrancam telhas, e sim das que arrancam casas inteiras do chão. De repente tinha menina caída pra todo lado, tipo cenário de filme-catástrofe. Elas levantaram e continuaram a vida. Doídas e profundamente feridas, continuaram andando sem perder a fé, a leveza e a alegria. ...
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Não, não foram dias fáceis. Na verdade, foi uma caminhada de dor. Quando tive a ideia de ensaiar uma cantata de Natal com minha galera, e dar a eles a oportunidade de sentir como é maravilhoso dar, sabia que não seria fácil, mas não sabia como seria a jornada. Nos últimos três meses o que vi foi a manifestação brutal da humanidade sem Deus. Um pai assassinado, ameaças de morte (não a mim, mas a um garoto de 11 anos), uma adolescente grávida perdida para o crack, tentativa de assassinato, agressão, acusação de estupro, roubo, drogas, drogas, e um pouco mais de drogas. Não era filme, era a rotina. É ainda. Se não fossem os anos de experiência com os planos totalmente improváveis que Deus coloca na minha cabeça, o dia de ontem não teria acontecido. Acho que não chegamos a ensaiar nem 15 vezes nesses 3 meses, e sempre foi no meio do caos, gente entrando e saindo, caindo e levantando, sofrendo. Tenho certeza que quem acompanhou e ficou junto até o fim sabia que eu só podia estar ven...

Para Pedro, Fernanda e Patrícia

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Sexta-feira, duas e meia da tarde, meu whatsapp treme... " Tia Cla, chamaram toda a família lá no hospital, você leva a gente?" Terminei de engolir o que comia e fui. Um caminho tão conhecido, nem dá para contar quantas vezes fui até lá buscar e deixar duas meninas fofinhas, uma tímida e uma faladeira que só ela. Fomos a tantos lugares juntas, fizemos tantas coisas! Foram muitas risadas, muito amor espalhado, muitas crianças conhecendo a Jesus, a começar delas mesmas. Quando entraram no carro, aquelas duas jovens mulheres de repente viraram de novo minhas pequenas. Só que em vez de ir a algum lugar divertido, elas estavam indo se despedir do pai tão amado. Deus recolheu aquele pai para si, talvez no dia mais difícil de todos: foi sepultado no dia dos pais. A mãe delas me enchia de perguntas, chorando com e por suas crias. Sua pergunta mais insistente era: será que sou uma boa mãe? Sim, você é uma ótima mãe. A maneira como os filhos encararam a situação mostrou que os pai...

Beleza Colateral

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Há um tempo Will Smith lançou um filme que foi detonadíssimo pela crítica: Collateral Beauty, traduzido como Beleza Oculta. Na tradução do título já ficou metade do sentido do filme. Caso você não tenha ouvido falar, é a história de um homem que perde a filha e fica bem pirado. Escreve cartas para o Amor, o Tempo e a Morte, que vêm responder pessoalmente. Como sempre acontece, se a crítica odeia, eu amo. O que a Morte, o Tempo e o Amor têm a dizer são pérolas preciosas. Mas a frase que dá o título ao filme não me sai da cabeça: "Certifique-se de perceber a beleza colateral". Essa frase quem ouve é a mãe de uma menina morrendo de câncer no quarto em frente. A beleza colateral. A beleza como efeito colateral da morte. Há beleza na morte? Na morte em si não vejo, mas quanta beleza vejo surgir a partir dela. Na natureza, a semente morre e nasce a planta. Na vida, as pessoas morrem e seus frutos aparecem. O processo de morte aproxima os vivos, restaura relacionamentos, dá u...

Listen to Your Heart

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Roxette foi uma das bandas que marcou minha adolescência. Quando fui morar nos Estados Unidos, sozinha numa cidade de 12.000 habitantes e onde de uma casa não se avistava outra, minha "mãe" percebeu tanto minha solidão quanto meu amor por música e me levou a uma loja de partituras e instrumentos. Saí de lá com a partitura de "Listen to your heart" nas mãos, e pobres pais postiços... Me ouviam tocar dia e noite, non stop. Aos 18 anos tudo na vida tem uma carga emocional gigante, e aquele momento marcava rompimentos e inícios na minha vida. Então, lá estava eu, ao piano, dia e noite.... "Listen to your heart... when it's calling for you.... listen to your heart...nothing else you can do..." Nunca fui muito fã de ouvir o coração, porque ele gosta de nos colocar em grandes furadas. Depois dos 18 anos e alguns grandes problemas em decorrência de simplesmente seguir o coração me tornei uma pessoa um pouco mais racional. Muito mais racional. Às vezes ...

De Geração em Geração

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Todo ano, a mesma história... só um bolinho. E acaba sendo uma festa super legal. No décimo terceiro aniversário da Alice, não foi diferente: 5 amigos, somente a família, pizza e sorvete. E um toque da mamãe. Mas dessa vez não é sobre isso o post, e sim sobre o que aconteceu aqui no sábado à noite. Alice e amigos sentados no sofá. Amanda e sua turma, em volta da mesa da sala. E nós, os chamados adultos da família, empoleirados na mesa da cozinha. E ali, no meio da animação generalizada, comecei a pensar na vida. Há alguns anos atrás, seriam a turma dos meus pais, a dos meus irmãos e a minha porque, como a Alice, minha diferença de idade é (era, hoje não faz diferença) grande em relação aos meus irmãos. E assim como sábado, as melhores risadas seriam na mesa da cozinha. Enquanto a turminha de amigos no sofá está entrando numa fase de descobertas e onde a opinião dos outros é capaz de definir o comportamento de cada um, a turma da mesa da sala já está numa fase mais desencan...