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Para Pedro, Fernanda e Patrícia

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Sexta-feira, duas e meia da tarde, meu whatsapp treme... " Tia Cla, chamaram toda a família lá no hospital, você leva a gente?" Terminei de engolir o que comia e fui. Um caminho tão conhecido, nem dá para contar quantas vezes fui até lá buscar e deixar duas meninas fofinhas, uma tímida e uma faladeira que só ela. Fomos a tantos lugares juntas, fizemos tantas coisas! Foram muitas risadas, muito amor espalhado, muitas crianças conhecendo a Jesus, a começar delas mesmas. Quando entraram no carro, aquelas duas jovens mulheres de repente viraram de novo minhas pequenas. Só que em vez de ir a algum lugar divertido, elas estavam indo se despedir do pai tão amado. Deus recolheu aquele pai para si, talvez no dia mais difícil de todos: foi sepultado no dia dos pais. A mãe delas me enchia de perguntas, chorando com e por suas crias. Sua pergunta mais insistente era: será que sou uma boa mãe? Sim, você é uma ótima mãe. A maneira como os filhos encararam a situação mostrou que os pai...

Beleza Colateral

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Há um tempo Will Smith lançou um filme que foi detonadíssimo pela crítica: Collateral Beauty, traduzido como Beleza Oculta. Na tradução do título já ficou metade do sentido do filme. Caso você não tenha ouvido falar, é a história de um homem que perde a filha e fica bem pirado. Escreve cartas para o Amor, o Tempo e a Morte, que vêm responder pessoalmente. Como sempre acontece, se a crítica odeia, eu amo. O que a Morte, o Tempo e o Amor têm a dizer são pérolas preciosas. Mas a frase que dá o título ao filme não me sai da cabeça: "Certifique-se de perceber a beleza colateral". Essa frase quem ouve é a mãe de uma menina morrendo de câncer no quarto em frente. A beleza colateral. A beleza como efeito colateral da morte. Há beleza na morte? Na morte em si não vejo, mas quanta beleza vejo surgir a partir dela. Na natureza, a semente morre e nasce a planta. Na vida, as pessoas morrem e seus frutos aparecem. O processo de morte aproxima os vivos, restaura relacionamentos, dá u...

Mãe???? Que morre???????

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Há alguns meses me chamaram para fazer parte de um vídeo clipe, e preciso contar um momento muito engraçado que vivi nessa história. Estava eu sentada no meu canto num domingo à noite, quando fui chamada por um cidadão. Fui atrás dele e entrei numa sala. Sentei e comecei a ouvir. Me contaram que estavam produzindo o clipe de "Quando Chove", e que seria a história de uma filha que perde a mãe e luta contra a dor. Uma mãe que ensinou sobre Deus à filha, e o caminho de volta que essa filha faz até Deus no meio do seu luto. Amei a história e me identifiquei muito, até por ter perdido meu pai e a música ter falado lá no fundo da minha alma. A primeira frase da música: "uma pausa na dor", é algo que só compreende totalmente quem está de luto. Bom, estava eu lá viajando na história, imaginando as gravações, quando ouço: ..."e a gente queria que você fizesse a mãe". Oi??? Desde quando eu sou a mãe, e ainda a mãe que morre????? Acho que levei uns 5 segundos para...

Até a última gota

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Por alguns dias, achei que teria que trocar o nome do blog. Como ser cheia de vida quando perdemos um pedaço de nós? Tenho pensado muito nisso, estado atenta aos meus sentimentos. Estou achando difícil deixar a morte do meu pai para trás. É como se eu pudesse continuar ali, naquele tempo e naquele espaço, e assim perpetuar um pouquinho mais a existência dele nessa terra. Se eu fosse fazer um desenho, eu estaria agarrada à lápide de seu túmulo com unhas e dentes. Parece que existe um sentimento de culpa em deixar nossos mortos para trás, quase como se fosse pecado continuar a vida. Mas não é pecado. Se não fui eu quem morreu, preciso ficar viva. Preciso respirar, sentir, viver, mudar, continuar, levar adiante o legado que ele deixou. Realmente, tive que rever meu conceito de cheia de vida. Ser cheio de vida é estar de peito aberto para o que der e vier, o que é bom e o que é ruim. O que é péssimo também. É jogar tudo isso num liqüidificador e beber, mesmo fazendo careta, e dali extr...