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Amputação

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Amputação é brutal. Não encontrei alguém que não ficasse abalado ao ouvir dizer "meu pai perdeu a perna direita". Uns choraram um choro solto e doído, outros se encolheram, outros ficaram catatônicos. Amputação é brutal. Mas também pode ser libertadora. Brutalmente libertadora. Há uma semana vi meu pai na UTI e tive certeza que era a última vez que o via. A infecção estava vencendo. Saí dali de luto, abalada e aos prantos, apenas esperando o telefone tocar, o peso da morte sobre meus ombros e agarrado ao meu coração. Algumas horas depois, tocou mesmo, para me avisar que iam amputar a perna dele. Foi um misto de choque e alívio, de dor e paz, uma anestesia na minha angústia. Imediatamente eu entendi que era a última chance do meu pai viver. Lembrando da aparência dele naquela tarde, eu orei e pedi ao Senhor que se fosse para passar por mais isso e não sobreviver, que ele não chegasse à cirurgia. Foi uma longa noite, esperando sempre o telefone tocar. Chegou a manhã, e ele a...

Na Alegria e Na Tristeza

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Domingo era para ter sido um dia muito feliz, e foi. Mas foi também um dia muito triste. No almoço comemoramos uma vida, no jantar engolimos uma derrota. A semana foi atribulada, com algumas idas com meu pai ao hospital, mas o domingo aparentemente seria um dia tranquilo, de festa, com a família e os amigos da minha mãe reunidos para comemorar seus 80 anos. Aparentemente. De manhã, quando passei para ver o curativo do meu pai, percebi que não seria. Meia hora depois, um telefonema confirmaria que não seria mesmo. Havia uma grande infecção, e era urgente operar o papai. Era possível apenas esperar a festa acabar. Eu estava decidida a não estragar a festa. Falei para o Rodrigo e segui em frente, decorando o salão e o bolo, totalmente destruída por dentro. Seria a décima terceira cirurgia do meu pai, no mesmo lugar. A palavra infecção doía nos meus ouvidos. Sérgio e Cristina souberam pelo médico, e Henrique pelo Rodrigo, e rolou a festa. Quando meus pais entraram no salão eu tive que...

NADA SEREI

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Ontem eu estava estudando o que ia falar para as crianças no nosso culto de consagração das caixas de Natal. Esse é um projeto que eu amo loucamente. Há 12 anos atrás, sem a menor pretensão, experimentamos fazer nossa cantata de maneira diferente, agregando presentes para distribuir junto com a apresentação. Sempre preparei cantatas de Natal com as crianças. Literalmente (affff!), gerações já passaram pela época das cantatas. Mas era muito vazio. Ensaiávamos meses, era uma encrenca muito grande por uma noite de apresentação em que os pais babavam e os outros membros da igreja se dividiam entre interessados e entediados. Fizemos grandes produções, teve até criança voando dentro da igreja. Mas era nada. Hoje, 12 anos e quase 40.000 caixas depois, não consigo lembrar como era essa sensação da apresentação única. Vamos por aí, cantando e presenteando onde podemos, espalhando amor. Literalmente, amor. Porque mesmo com a chateação, era muito mais simples antes. Agora não ensaiamos tant...

ACEITAÇÃO

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Quando a vida vai ficando mais simples, vai diminuindo o assunto. Será? Tenho espaçado tanto as postagens que fica parecendo. Mas a verdade é bem outra. É tanto a assimilar e entender, e às vezes é tão difícil mudar algumas coisas que não consigo achar as palavras certas para escrever. Começo a escrever e vai virando um livro! No último post falei sobre respiração. O básico dos básicos. Outra coisa básica se chama ACEITAÇÃO. Aceitação em todas as formas. Aceitar minhas imperfeições, aceitar as injustiças da vida, aceitar o inesperado, aceitar o ônus de minhas escolhas. Aceitar simplifica a vida. Não o aceitar estilo "vaquinha de presépio", mas o aceitar consciente das coisas que você não pode mudar, e das que você precisa mudar. Viver simples é escolher suas lutas. É aprender a não coar o mosquito e engolir o camelo. Aceitar o que o que não é prioridade vai para o final da fila até segunda ordem. O que não é prioridade? O pensamento alheio sobre mim é um bom exemplo. Min...

Coração na boca

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Esta sou eu hoje: É assim que me sinto depois de um dia de hospital com o meu pai. Deus tem sido muito bom, esse ano foi a primeira vez, e serviu para provar o ditado: gato escaldado MORRE DE MEDO de água fria. Há alguns dias eu estava "farejando"alguma coisa, tive até frio na barriga segunda e terça. Quando cheguei de uma reunião ontem à noite e o Rodrigo disse que minha mãe pediu que eu ligasse na hora que chegasse, os joelhos já amoleceram. Desde o ano passado, algumas coisas tiram meu chão. Telefonema da minha mãe depois das 22 ou antes das 8, taxa de proteína c reativa alta, minha mãe pedir para eu ligar quando chegar são apenas as três primeiras que me vieram à mente. A lista é longa. Liguei, e ela preferiu ir ao pronto socorro hoje de manhã. Os dois dormiram e eu passei a noite esperando o telefone tocar. Bom, de manhã lá fomos, eu e ela de coração na boca e fingindo calma. Triagem, fala com a médica, põe no soro... No final deu tudo certo, voltamos para cas...

RESPIRAÇÃO

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IVocê já prestou atenção na sua respiração? Quantas vezes por dia você respira? E quantas você percebe? Perguntinhas bobas, mas que começaram a me incomodar, porque respiração é algo bem simples e básico na vida. Quando você decide trilhar um caminho diferente do que trilhava antes, seus olhos começam a passar por tudo, por todas as áreas, e é preciso estar atenta para ver as coisas. Eu continuo respirando sem pensar o dia inteiro, mas comecei a separar um tempo para prestar atenção, e acabei descobrindo coisas muito mais profundas. Respirar é vida, o ar é vida. Quando o ar entra, enchendo seus pulmões, o oxigênio percorre seu corpo retirando as impurezas, sendo expelido depois como gás carbônico. O ar entra limpo e sai sujo, podemos dizer. O corpo funciona todo ajustado, e o ar é vital. A coisa mais simples da vida é respirar. É também a mais importante. E nos meus momentos de respiração profunda, acabei fazendo uma ligação ainda maior. Assim como o ar está à minha volta todo o tem...

CURTO, MÉDIO OU LONGO PRAZO?

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E a batalha campal das eleições continua. Me sinto realmente triste, porque não vejo uma boa opção, uma saída que seja realmente boa para o país. E pior, as pessoas estão se degradando num nível de baixaria e desrespeito absurdo, começando pelos candidatos. Diante disso, não tenho tido a leveza necessária para escrever coisas realmente legais e gostosas de ler, mas vamos tentar! Depois do mega evento Garage Sale, ainda vendi um bocado de coisas pela internet, doei dois carros cheios e ainda tenho duas caixas e uma sacola grandes para doar. É infindável! Com o que conseguimos ganhar, compramos: a penteadeira e o balanço de teto que a Alice sonhava, o porta-bolsas com espelho de corpo inteiro que a Amanda queria e criados mudos novos para o meu quarto. E uma mesa linda para a copa. Para baratear, comprei a penteadeira e os criados mudos só lixados, para eu pintar. Ok, para baratear e eu me divertir, né... Agora estamos juntando nosso dinheirinho para a tinta! Eu poderia comp...